Não há como negar que política e mercado de investimentos têm uma estreita relação. Por isso, mesmo para quem já investe há um tempo precisa ficar atento ao cenário político, principalmente em um período de grandes incertezas; como crises de saúde pública, econômica e política no Brasil.

Sabemos que as decisões políticas podem afetar diretamente o crescimento do país, influenciando o mercado de investimentos e, é claro, impactando as aplicações e a vida da população de forma geral.  

Consequentemente, a política influencia também as taxas de juros – como o caso da taxa Selic -, bem como cotações dos ativos financeiros, ações de empresas de capital aberto, entre outros.

E para driblar riscos desnecessários e aproveitar as oportunidades é fundamental que o investidor fique atento às movimentações políticas a fim de manter seus lucros a salvo, antever riscos e entender as oscilações do mercado financeiro.

E por isso, no blog de hoje iremos explicar como a política pode impactar o mercado de investimentos.

Mas antes, é importante você conhecer alguns dos principais termos usados no mercado financeiro, no glossário feito exclusivamente para você.

Como a política interfere nos investimentos?

A ação da política sobre os investimentos causa tanto impactos positivos como negativos, sendo fundamental para investidores que desejam analisar suas estratégias de investimentos.

A política exerce uma influência muito agressiva e, na maioria das vezes, imprevisível, principalmente em momentos de crise, como o caso do Covid-19. 

As decisões políticas acabam por influenciar as taxas de juros e o comportamento do mercado de ações. Como o mercado de investimentos é extremamente dinâmico, se ocorrer um aperto na condução da política monetária, por exemplo, em virtude de uma aceleração no nível de preços, essa elevação na taxa de juros vai ser rapidamente incorporada ao mercado de ações, influenciando o comportamento dos investidores e dos consumidores.

Se formos avaliar historicamente, os mercados nacionais, entre eles o mercado de capitais, tem cada vez mais se tornado dependentes da performance dos grandes mercados mundiais. Eventos como crises internacionais, por exemplo, afetam diretamente o mercado de ações brasileiro. 

Geralmente, quanto mais estável a situação política no país, mais favorável é para os investidores no mercado de ações.

Sendo assim, é fundamental acompanhar as mudanças no cenário político para identificar os impactos sobre a sua carteira de investimentos.

É preciso analisar o cenário político antes de investir

Com o crescente interesse do brasileiro por assuntos relacionados a investimentos e finanças pessoais, podemos observar o quão importante é analisar o cenário político e seus impactos no cenário econômico. 

Portanto, a análise de investimento deve ir além de avaliar a empresa na qual você quer investir seu capital. 

O recomendável é que os investidores busquem analisar o cenário político – local e global – para fazer aplicações mais seguras, além de fugir da instabilidade econômica, de forma a alcançar maior rentabilidade e evitar perdas desnecessárias na hora de investir.

Para isso, vamos entender primeiro como funciona a política monetária e como ela influencia nas decisões de investimento.

Política monetária: como afeta os seus investimentos?

A política monetária é a política macroeconômica estabelecida pelo Banco Central (BC), uma autarquia federal que, por meio de seus órgãos internos define taxas.

A política monetária envolve a gestão da oferta de moeda e da taxa de juros e é a política econômica que atua ao lado da demanda usada pelo governo para atingir objetivos macroeconômicos como inflação, consumo, taxa de desemprego, liquidez, entre outros.

A política monetária é a que mais afeta as decisões de investimento, e é ela que influencia a atividade econômica ao controlar a oferta de moeda e o crédito do país.

De acordo com Hillbrecht (1999), os objetivos da política monetária são: 

  • Estabilidade de preços;
  • Estabilidade da taxa de juros;
  • Estabilidade do sistema financeiro; 
  • Elevado nível de emprego;
  • Crescimento econômico;
  • Estabilidade do mercado cambial.

A chave para definir a política monetária é encontrar o equilíbrio perfeito; uma taxa de juros baixa demais pode aumentar a inflação, ao passo em que uma Selic muito alta prejudica o crescimento econômico.

A relação entre taxa de juros e os investimentos

O Banco Central usa os juros para estimular ou segurar a expansão do país, e se baseia na Selic para colocar a inflação na meta do governo. Quanto menor for à taxa Selic, menor é o custo do crédito no país, fazendo com que o consumidor compre mais e as empresas invistam mais. O resultado disso é um aquecimento da economia.

Mas o movimento da taxa de juros também influencia no câmbio, isto é, na relação entre a moeda brasileira e a moeda de outros países, em especial o dólar.

Em meio à pandemia mundial, por exemplo, os juros no Brasil estavam em constante queda. Com juros mais baixos, os títulos públicos do governo brasileiro passaram a oferecer um rendimento menor. Consequentemente, os títulos da dívida brasileira se tornaram menos atrativos para investidores estrangeiros, prejudicando a entrada de dólares no país.

Muitos economistas afirmam que esse pode ter sido um dos fatores que levou à forte desvalorização do real em 2020 e 2021.

Desde então, o Comitê de Política Monetária (COPOM) já reviu sua política monetária e tem realizado aumentos consecutivos na taxa de juros – atualmente, estamos com a taxa Selic a 7,75%, e a expectativa é de que ela continue a crescer. 

Quando o COPOM eleva a taxa básica de juros – a Selic – isso tem o efeito indireto de tornar as aplicações em renda fixa, como o Tesouro Direto, comparativamente mais atraentes do que aplicações em renda variável, como as ações de empresas listadas na Bovespa.

Em outras palavras, a política monetária influencia de diversas maneiras as aplicações financeiras. Isso significa que acompanhar de perto as decisões do Copom é uma excelente maneira de garantir maiores rentabilidades.

Como a política interfere na bolsa de valores?

A Bolsa de valores funciona como um reflexo da economia real do país, antecipando as reações do mercado frente às decisões adotadas pelo governo. Ou seja, quando a confiança no governo aumenta, e as ações políticas conferem credibilidade aos investidores, a tendência é que a Bolsa suba.

No entanto, se ocorre o contrário, e houver uma descrença em relação ao país, devido à falta de políticas necessárias que podem ocasionar uma crise financeira, por exemplo, a credibilidade dos investidores cai e, junto à ela, o preço das ações.

É quase uma “jogo” de expectativas. Se elas forem ruins é claro que os investidores vão ficar mais cautelosos porque podem haver muitas dificuldades pela frente.

O ponto chave é que, uma crise na bolsa de valores pode desencadear uma série de problemas econômicos e sociais no país, como podemos ver na história financeira mundial.

O próprio cenário atual revela isso. A projeção para 2020 – antes do coronavírus – era de um crescimento do PIB brasileiro. Assim, as empresas iriam se beneficiar da expansão do PIB e seus resultados financeiros, como faturamento e lucro, seriam maiores.

Como o cenário político interfere no dólar?

A volatilidade do dólar está diretamente ligada ao cenário político instável vivenciado pelo país. E para entender é simples: quanto maior as incertezas e descrenças do mercado em relação ao governo, mais a moeda norte-americana se valoriza. 

O oposto também ocorre: quando o mercado enxerga alguma possibilidade de mudança política, a tendência é que a moeda brasileira se fortaleça.

Portanto, quando acontece uma crise política no Brasil, os investidores se tornam menos confiantes em relação à economia e política do país, migrando, então, seus recursos para outros mercados.

O objetivo destes investidores é encontrar os investimentos que ofereçam os maiores retornos com os riscos mais baixos.

Porém, é importante ressaltar que as oscilações do dólar não afetam apenas investidores, mas a população no geral, uma vez dependendo de quanto o dólar subir, por exemplos, o aumento de preços pode ser geral, resultando também no aumento da inflação. 

Exemplos de como o cenário político influencia na moeda brasileira

É tradicionalmente aceito por muitos economistas que as eleições nos Estados Unidos têm impacto no mercado de ações e os ciclos eleitorais estão correlacionados aos retornos do mercado.

De acordo com a popular “teoria do ciclo de eleições presidenciais”, os mercados financeiros tendem a cair no ano seguinte às eleições presidenciais.

No Brasil, no entanto, podemos ver que em 2002, quando a moeda chegou a R$ 4, a eleição do Lula gerava incertezas para o mercado. 

Outro exemplo ocorreu em um momento de crise, em setembro de 2018, quando o dólar atingiu a cotação de R$ 4,20 perto das eleições.

É bom lembrar que eleições, novas políticas ou notícias sobre política em si não afetam os preços das ações, mas as decisões que os investidores tomam com base nessas notícias influenciam os preços. 

Portanto, as ações dos investidores serão afetadas pela política do candidato ou por suas opiniões sobre a economia e as medidas que ele considera implementar quando for eleito.

A política vai sempre influenciar na economia

Como você pôde ver, a política interfere na economia e, consequentemente, nos investimentos. Entender isso é fundamental para que possamos destacar a importância do investidor diversificar seu portfólio.

Os investidores devem levar em consideração a política e, até mesmo as eleições, ao formarem opiniões sobre o mercado de ações e certas ações. Também é uma boa ideia sempre manter parte do dinheiro em ativos líquidos. Isso irá mitigar os riscos associados ao investimento de uma só vez. 

Se a política global mudar o mercado de forma negativa, você terá capital esperando para investir à medida que os preços caem. Dessa forma, você pode tirar vantagens da incerteza política em vez de ser prejudicado por ela.

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