É possível que em algum momento o gerente do seu banco tenha te oferecido uma aplicação em título de capitalização. O argumento de que é só pagar um valor mensal e ainda concorrer a prêmios e, após um certo período você resgata seu dinheiro com correção parece uma proposta até interessante para o banco, mas nada vantajosa para os clientes.

Quando se fala de rendimentos, é necessário redobrar a atenção para verificar se investir em título de capitalização vale a pena.

Por isso, preparamos este conteúdo completo mostrando como o título de capitalização funciona e se é viável financeiramente. Continue a leitura e entenda mais.

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O que é um título de capitalização?

Um título de capitalização é um título de crédito comercializado por empresas de capitalização com um caráter lotérico, uma vez que realiza sorteio de prêmios.

Funciona assim: o capitalizador, o cliente, concorre a prêmios de sorteios, recebendo, ao final da aplicação, seu dinheiro acrescido de reajustes e com as cobranças da Taxa Referencial (TR). Além disso, cobram taxas de carregamento, cota para sorteio e administração diminuindo ainda mais a rentabilidade.

Existem atualmente quatro tipos de título de capitalização que são oferecidos pelos bancos, mas a maioria segue o mesmo padrão. 

Os títulos de capitalização não se enquadram como renda fixa, e não é garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e caso a instituição financeira tenha algum problema, você pode perder todo o dinheiro aplicado. Ou seja, a segurança do produto está na segurança do próprio banco.

Por que não investir em títulos de capitalização?

Os títulos de capitalização são desvantajosos em relação à outros fundos de investimentos, inclusive em relação à poupança que tem liquidez imediata, um baixo rendimento, e não tem custos ou taxas.

Na melhor das hipóteses, comprar um título de capitalização é a mesma coisa que deixar o dinheiro parado durante anos. E esse “investimento” pode acarretar em prejuízos, uma vez que você pode estar deixando de aproveitar oportunidades de investimento e ainda estar perdendo para a inflação.

Título de capitalização não é investimento, é jogo

Antes de tudo, é importante destacar que título de capitalização não é investimento. 

Na verdade, se formos avaliar os títulos de capitalização – apesar de serem considerados seguros e ter regularização da Susep (Superintendência de Seguros Privados, ligada ao Ministério da Fazenda) -, nem devem ser considerados investimento, porque têm características de jogo, já que o investidor “joga” para tentar ganhar os sorteios.

Alguns especialistas chegam a dizer que os títulos de capitalização são como bilhetes lotéricos, e é provável que estejam certos.

O que os diferencia é que o valor dos títulos são devolvidos pelo banco, e a aposta em loteria não.

Apesar do título de capitalização atrair muitas pessoas por causa dos prêmios, o banco não é obrigado a oferecer prêmios ou sorteios.

Sendo assim, é preciso ficar muito atento às chances reais de premiação conferindo a Ordenação e Identificação de Títulos no contrato. Nesse campo é informado o tamanho da série (o número de títulos emitidos).

Vale lembrar também que, quanto maior o prêmio, maior será a quota de sorteio paga ao título, e menor o valor que compõe o que vai para o resgate. Continue a leitura e entenda.

Não rende muito

Como já dissemos anteriormente, o rendimento da capitalização é menor que o rendimento da poupança. 

Na verdade, o títulos de capitalização rende tão pouco que a rentabilidade pode chegar a 0 e, ao final do prazo estabelecido, você acaba retirando exatamente o que colocou. Mas, considerando a inflação, você vai acabar retirando menos do que colocou.

Imagine que em fevereiro de 2018 você tenha aplicado R$ 60 mil na poupança e resgatou em fevereiro de 2020. Você teria R$ 65,4 mil. Já em um título de capitalização, o valor seria o mesmo da aplicação inicial, ou seja R$60 mil, porém corroído pela inflação ao longo do tempo em que o dinheiro ficou parado. Basicamente você estará guardando dinheiro e ainda pagando taxas por isso. 

Segundo a própria SUSEP, no caso dos títulos de capitalização, o “capital de resgate será sempre inferior ao capital constituído por aplicações idênticas na caderneta de poupança, já que, dos pagamentos efetuados num título, desconta-se uma parte para custear as despesas administrativas das Sociedades de Capitalização e, quando há sorteios, uma parcela para custear as premiações.”

Além disso, há títulos de capitalização que são vendidos como “poupança programada”, que cobram mensalmente durante alguns anos e só retornam o valor total pago após a quitação de todas as parcelas. 

Sendo assim, investir em capitalização não oferece bons rendimentos e você sofre sanções caso resgate antes do prazo, perdendo parte do valor. 

De quem é o lucro?

Na prática o valor que você “deposita” em capitalização é dividido pelo banco em três partes:

  • Cerca de 3,5% do montante servem para aumentar o bolo do dinheiro dos sorteios;
  • Outros quase 11% são usados para remunerar o banco, conhecida como cota de carregamento;
  • E somente os 86% restantes são remunerados assim como a poupança – pela Taxa Referencial (TR), que hoje está no valor de 0.

Não é difícil perceber que esse produto é sim um excelente investimento para o banco, e não para você.

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Baixa liquidez do investimento

Ao comprar um título de capitalização raramente se pensa na liquidez dos recursos.

Mas em algum momento emergencial você pode vir a precisar resgatar o dinheiro, mas não conseguir devido aos prazos.

Sendo assim, você corre o risco de não conseguir resgatar o dinheiro da capitalização de forma rápida o suficiente, já que as regras de resgate não permitem o saque a qualquer momento sem grandes penalidades. Ou seja, o dinheiro fica preso até o vencimento acordado. 

Por isso, antes de comprar títulos de capitalização, você deve avaliar se o investimento tem alta ou baixa liquidez observando os seguintes fatores:

  • Carência: período em que você não poderá sacar seu dinheiro.
  • Prazo de resgate: período entre a solicitação de resgate e o recebimento do dinheiro.
  • Vencimento: período que você deve deixar o dinheiro investido para ter o rendimento prometido na compra.

Lembre-se: quanto maior forem os prazos, menor a liquidez do investimento.

Fuja das armadilhas financeiras

Embora o título de capitalização renda menos que a poupança, o brasileiro ainda insiste em comprá-lo. E há algumas razões para que isso aconteça: pode ser por desconhecimento a respeito de aplicações ou medo de enfrentar investimentos de maior complexidade.

A escolha desse produto pode ocorrer também, porque muitos consideram que o banco transmite segurança e tem tradição no mercado e acreditam que o valor investido é remunerado corretamente. 

Contudo, no mundo dos investimentos, existem diversas instituições financeiras que oferecem aplicações muito mais rentáveis do que o título de capitalização e a possibilidade de resgate imediato como CDBs, LCIs, LCAs fundos, Tesouro Direto e Fintechs de crowdfunding, por exemplo.

Educação financeira é investimento

Normalmente, quem compra título de capitalização não tem muita disciplina financeira. Como a pessoa é “obrigada” a dar aquela quantia mensalmente, cria-se a ideia que está sendo feito uma economia para o futuro. 

Porém, se o intuito é economizar há outras formas de fazer isso. A principal delas é buscar se conscientizar sobre a educação financeira. Ela tem sido cada vez mais importante para o bem-estar financeiro das pessoas.

O que temos visto é a crescente sofisticação dos mercados financeiros, o que significa que os consumidores não estão apenas escolhendo entre as taxas de juros entre dois diferentes empréstimos bancários ou planos de poupança e títulos de capitalização, mas estão sendo oferecidos uma variedade de instrumentos financeiros com uma ampla gama de opções. 

Contudo, se tivermos indivíduos instruídos financeiramente, será mais provável desafiar prestadores de serviços financeiros a oferecer produtos que realmente respondam às suas necessidades e que tenham efeitos positivos sobre níveis de investimento e crescimento econômico.

O economista, mundialmente conhecido, Alan Greenspan disse uma vez que: “para que um sistema financeiro cada vez mais complexo funcione efetivamente, é essencial a disseminação generalizada de informações financeiras e outras informações relevantes oportunas entre os participantes instruídos do mercado, para que eles façam o tipo de julgamento informado que promove seu próprio bem-estar.”

Portanto, é muito clara a necessidade das pessoas se educarem melhor. “A alfabetização financeira pode ajudar a impedir que os jovens tomem más decisões financeiras que podem levar anos para serem superadas”, afirma Greenspan.

Conclusão

Como vimos anteriormente, existem opções de investimentos muito mais vantajosas do que os títulos de capitalização e que podem te ajudar a ter melhores rendimentos.

Sendo assim, para fugir de armadilhas financeiras como os títulos de capitalização, o mais recomendado é estabelecer um objetivo e avaliar os riscos antes de fazer uma aplicação.

Além disso, buscar a educação financeira ajuda os investidores a determinar se eles estão no caminho certo para atingir seus objetivos de investimento. Lembre-se que a educação financeira é como uma anuidade. É um investimento único que paga dividendos pelo resto da sua vida.

E para garantir seu sucesso financeiro é necessário conhecer o mercado financeiro e entender qual tipo de aplicação se encaixa no seu perfil de investidor e no seu planejamento.

Portanto, ter um planejamento financeiro permite que você gerencie sabiamente suas finanças para que possa alcançar seus objetivos e sonhos. 

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