Você já deve ter ouvido falar em CDI e Selic, mas talvez não saiba exatamente o que essas siglas significam na prática. O mercado financeiro oferece oportunidades interessantes para quem quer investir e aumentar seus ganhos, porém, ainda é considerado um pouco inacessível e complicado por muitos investidores iniciantes.

Muitas vezes, a grande quantidade de termos e siglas podem assustar quem não está completamente familiarizado com isso, aumentando os riscos de prejuízos e insegurança por parte de quem pensa em começar a investir, porém, com um pouco de estudo e dedicação, é possível se tornar um conhecedor e, eventualmente, um investidor experiente.

CDI e Selic são dois termos frequentemente utilizados no mundo dos investimentos, portanto saber o que significam e a diferença entre eles é essencial para aprovar as oportunidades ao máximo.

Para te ajudar, nesse artigo vamos explicar a diferença entre CDI e Selic, o que são essas taxas e como elas podem afetar seus investimentos.

E antes de começar a ler o artigo, você pode aproveitar para conferir nosso material sobre objetivos de investimento e ver como escolher a melhor opção para você!

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Renda Fixa x Renda Variável

Antes de entrarmos de forma mais profunda na diferença entre CDI e Selic, é preciso relembrar as diferenças entre investimentos de renda fixa e investimentos de renda variável.

Os investimentos de renda fixa são aqueles que, após um tempo determinado, o investidor sabe exatamente quanto de retorno ele terá, baseado na quantia investida. Podemos dizer, então, que investimentos de renda fixa não têm nenhuma surpresa e, por isso, são considerados menos arriscados. Investir na poupança, por exemplo, é uma forma de investimento de renda fixa.

O contrário acontece nos de renda variável. Nesse tipo de investimento, não é possível precisar qual será o retorno – ou até se existirá retorno – após um determinado período de tempo. Eles são influenciados por fatores impossíveis de controlar, como a valorização de uma ação. Por serem mais voláteis, os investimentos de renda variável são considerados mais arriscados, afinal, há possibilidade de prejuízo. Porém, é essa volatilidade que faz com que as chances de lucros mais expressivos sejam maiores.

Por que é importante entender essa diferença para falarmos sobre CDI e Selic? Isso é porque as taxas CDI e Selic estão relacionadas aos investimentos de renda fixa e isso irá influenciar direta (e até indiretamente) a porcentagem ganhos em aplicações dessa natureza, como poupança, CDB e Tesouro Direto.

O que é taxa Selic?

A sigla Selic significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia e diz respeito ao gerenciamento e registro das informações relacionadas aos títulos públicos federais – entre as informações estão o registro, custódia e liquidação desses títulos. A taxa Selic, então, está relacionada ao governo e a economia do país e, por isso, também é conhecida como taxa básica de juros. A taxa Selic irá influenciar muitas outras taxas relacionadas à economia do Brasil.

Essa taxa corresponde a operações financeiras entre instituições bancárias que ocorrem em um período muito curto, normalmente, em um dia. Por exemplo, se um banco precisa equilibrar o fluxo de dinheiro no final do dia, ele pode pedir empréstimo para outro banco por meio de títulos do Tesouro Nacional. Nesse caso, a taxa de juros do pagamento é a taxa Selic.

Quem define essa taxa, porém, não é nenhuma das instituições financeiras envolvidas no empréstimo, e sim, o governo federal, mais especificamente, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil).

O Copom se reúne oito vezes ao longo do ano para definir a taxa Selic, e cada reunião costuma pautar bastante o mercado financeiro. Por isso, é muito importante ficar muito atento às datas das reuniões do Copom!

Quais as datas das reuniões para determinar a Selic?

As reuniões do Comitê de Política Monetária para determinar a Selic são feitas a cada 45 dias, e cada sessão tem dois dias de duração. No último encontro, a taxa Selic subiu para 3,75%, e a próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de junho.

Abaixo, você confere as datas do calendário Copom para 2021:

  1. 19 e 20 de janeiro
  2. 16 e 17 de março
  3. 4 e 5 de maio
  4. 15 e 16 de junho (próxima reunião do Copom)
  5. 3 e 4 de agosto
  6. 21 e 22 de setembro
  7. 26 e 27 de outubro
  8. 7 e 8 de dezembro

O que é taxa CDI?

O CDI é bastante semelhante ao Selic, mas não envolve títulos públicos, então, não está relacionado ao governo federal. A sigla significa Certificado de Depósito Interbancário e essa transação pode ser simplificada da seguinte maneira: enquanto o CDB diz respeito a investimentos entre pessoas físicas e instituições financeiras, o CDI acontece apenas entre os bancos – por isso o ‘interbancário’ no nome.

Então, o CDI está relacionado às operações privadas dos bancos e serve como referência ou como um indexador nos investimentos do setor privado.

A média de juros cobrados por esses depósitos interbancários é denominado taxa DI. A taxa DI é atualizada todos os dias pela Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados (Cetip) e seu valor atualizado é divulgado no site da B3, que opera a Bovespa.

Qual a diferença entre CDI e Selic?

Normalmente, ambas as taxas possuem valores semelhantes e costumam acompanhar os mesmos movimentos, mas CDI e Selic não são a mesma coisa. Então, qual a diferença entre CDI e Selic?

No geral, o CDI possui uma taxa ligeiramente abaixo da Selic. Isso porque ao contrário da Selic, o CDI é feito com lastro em títulos privados, que possuem um risco maior que os títulos públicos do governo.

Ou seja, se a Selic está em 3,5%, o CDI costumar ficar em torno de 3,4%.

Além disso, como dissemos anteriormente, a taxa DI é atualizada diariamente. Isso significa que, apesar de sempre orbitar próxima à Selic, o CDI pode variar ao longo do tempo — mesmo que a taxa básica de juros se mantenha estável.

Como CDI e Selic impactam os meus investimentos?

Agora, você pode estar se perguntando: como tudo isso me afeta? Como já dissemos no início deste artigo, as taxas CDI e Selic estão diretamente relacionadas aos investimentos de renda fixa. Então, é bem provável que elas estejam impactando os seus investimentos. Veja só como:

Apesar de estarem ligadas às operações que acontecem entre as instituições financeiras, os efeitos de sua queda ou ascensão chegam até o investidor individual também. Para entender, basta pensar nos investimentos como ‘empréstimos’.

Por exemplo, se você realiza um investimento em um determinado banco, você está, de certa forma, “emprestando” esse dinheiro para o banco que, após um período, normalmente pré-estabelecido, te devolve esse investimento com a adição do valor definido na taxa de juros. 

Como o valor dessas taxas de juros são definidas pelas taxas CDI e Selic, se elas estão altas, o seu investimento terá mais retorno, afinal, o banco irá te “pagar” um juros mais alto pelo seu empréstimo. Da mesma forma, se essas taxas estão em queda, você receberá menos retorno em seus investimentos. Então, as taxas CDI e Selic interferem diretamente nas mais variadas aplicações.

Isso tudo quer dizer, então, que se a taxa Selic cair não vale mais a pena investir em aplicações de renda fixa como o Tesouro direto? Nem sempre!

Para entender qual é o melhor momento de investir baseado na taxa Selic, é preciso entender também um pouco sobre a inflação.

Selic e inflação

A taxa selic e a inflação estão bastante interligadas. Quando a inflação sobe muito, o governo costuma aumentar a taxa Selic para tentar controlá-la.

Como a taxa Selic é a taxa básica de juros e influencia as outras taxas na economia, um aumento dela também significa o aumento dos juros em geral.

Então, quando os juros estão altos, as pessoas costumam comprar menos e, quando as pessoas compram menos, isso tende a baixar os preços e segurar um pouco o aumento da inflação.

Da mesma forma, quando a inflação está baixa, o governo pode baixar também a taxa Selic, estimulando um pouco mais a compra e a economia.

Nesse caso, o que realmente interessa é a diferença (subtração dos valores) entre a inflação e a taxa Selic. Ou seja, se a taxa Selic estiver muito alta mas a inflação também estiver, não necessariamente os lucros em investimentos serão mais expressivos. Por exemplo, a taxa Selic em 10% é considerada alta, mas se a inflação estiver em 7%, a diferença entre as duas taxas seria de 3%. 

Se a taxa Selic estiver em 6% mas a inflação em 2%, a diferença entre elas seria 4%, ou seja, nesse caso, o lucro seria um pouco maior, mesmo com a taxa mais baixa.

Como utilizar as taxas CDI e Selic para fazer melhores investimentos?

As taxas CDI e Selic influenciam bastante os rendimentos de aplicações de renda fixa como Tesouro Direto e CDB. Muitos investidores iniciantes podem ficar confusos nesse momento e não saber se valeria ou não a pena investir em algo dependendo do valor dessas taxas.

Assim como a maioria dos investimentos, não é possível dizer que há uma resposta correta de qual é o melhor ou pior tipo de investimento, afinal, tudo depende dos seus objetivos, a quantidade de dinheiro que você tem disponível para investir e o tempo que você está disposto a esperar pelos ganhos. Então, da mesma forma, apostar em investimentos que são influenciados pelas CDI e Selic também vai depender de outros fatores.

O importante é realmente entender o que essas taxas são e como elas influenciam os investimentos, o comportamento do mercado e a economia em geral, assim, você ficará melhor informado para tomar decisões relacionadas às suas aplicações.

Se você está pensando em começar a investir e fazer o seu dinheiro render mais mas ainda não está familiarizado com os termos e siglas do mercado financeiro, pode baixar esse glossário que contém os termos mais importantes e indispensáveis para os investidores. Assim, garante que seus investimentos serão menos arriscados e terão seus ganhos potencializados. Confira.

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