Pular para o conteúdo

Depreciação: o que é e como fazer o cálculo?

  • Lislye Viana 
  • 14 min read

A depreciação é um conceito fundamental na contabilidade e na gestão financeira de empresas. Ela representa a perda de valor dos bens ao longo do tempo devido ao uso, desgaste ou obsolescência, influenciando diretamente os custos e a precificação dos ativos.

Entender como calcular esse índice ajuda a tomar decisões mais precisas sobre investimentos, manutenção e substituição de equipamentos. Existem diferentes métodos para esse cálculo, cada um adequado a determinados tipos de bens e estratégias contábeis.

Neste artigo, explicamos o que é esse índice o e como realizar o cálculo de forma correta, considerando os principais métodos utilizados.

O que é depreciação e qual a sua importância para as finanças?

A depreciação é a redução do valor de um bem ao longo do tempo devido ao uso, ao desgaste natural ou à obsolescência.

Esse fenômeno ocorre com diversos tipos de ativos, como máquinas, veículos, equipamentos e imóveis. A contabilidade utiliza esse índice para refletir essa perda de valor nos registros financeiros das empresas.

A depreciação não representa uma saída de dinheiro, mas afeta o balanço patrimonial e o resultado financeiro da empresa. O reconhecimento contábil desse índice permite que os negócios se preparem para a substituição dos bens no futuro, mantendo a capacidade operacional.

Como a depreciação afeta as finanças

A depreciação tem impacto na gestão financeira, pois influencia a lucratividade e a precificação dos produtos e serviços. Empresas que não consideram esse índice podem ter dificuldades em calcular corretamente seus custos e projetar investimentos para a reposição dos ativos.

Ela também afeta o pagamento de impostos, já que esse índice é uma despesa contábil que pode reduzir a base de cálculo do lucro tributável.

Esse fator torna o controle desse índice relevante para otimizar a carga tributária e evitar distorções na análise financeira da empresa

Como funciona a depreciação?

A depreciação funciona como um mecanismo contábil que distribui o custo de um bem ao longo de sua vida útil. Em vez de reconhecer o gasto total na aquisição do ativo de uma só vez, a contabilidade registra gradualmente sua perda de valor com o passar do tempo.

O cálculo desse índice depende de fatores como o tempo estimado de uso do bem, seu valor de aquisição e o método adotado para distribuir essa redução de valor. A empresa aplica esse processo mensal ou anualmente, reduzindo o valor contábil do ativo nos registros financeiros.

Além de refletir a desvalorização do bem, esse índice impacta diretamente o lucro tributável da empresa, pois a contabilidade considera essa redução como uma despesa operacional. Dessa forma, a empresa pode compensar parte do custo do ativo na apuração dos impostos.

Os responsáveis podem calcular esse índice por diferentes métodos, como o método linear, que distribui a perda de valor de forma uniforme, ou métodos acelerados, que reconhecem uma parcela maior desse índice nos primeiros anos de uso do bem.

Diferença entre depreciação contábil e fiscal: qual a relevância para o cálculo?

A contabilidade e a legislação tributária utilizam a depreciação contábil e a depreciação fiscal para registrar a perda de valor dos bens ao longo do tempo, mas cada uma atende a objetivos distintos.

A contábil tem foco na correta representação financeira dos ativos no balanço patrimonial da empresa, enquanto a fiscal segue normas específicas para fins de apuração de impostos.

Depreciação contábil 

A contabilidade baseia a depreciação contábil na estimativa da vida útil econômica do bem e pode ajustá-la conforme a realidade da empresa.

Ela permite diferentes métodos de cálculo, desde que estejam de acordo com as normas contábeis aplicáveis. 

Esse processo busca refletir a real perda de valor dos ativos e garantir o registro fiel do patrimônio da empresa.

Depreciação fiscal

Já a legislação tributária regulamenta a depreciação fiscal, determinando limites e prazos específicos para que as empresas possam deduzir esse índice como despesa.

As regras fiscais estabelecem tabelas padronizadas para a vida útil dos bens, o que pode gerar diferenças entre o valor depreciado contabilmente e o permitido para dedução no cálculo dos tributos.

Relevância para o cálculo

A diferença entre os critérios contábil e fiscal pode resultar em valores distintos para a depreciação no balanço e na apuração dos impostos.

sso impacta o lucro tributável da empresa, pois esse índice fiscal influencia o valor da base de cálculo para tributos como o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

Empresas que adotam critérios contábeis mais flexíveis podem ter diferenças temporárias entre o valor da depreciação reconhecida nas demonstrações financeiras e aquela aceita pela legislação fiscal. Essa discrepância é registrada como um ajuste fiscal e pode ser compensada ao longo do tempo.

O correto entendimento das diferenças entre os dois tipos desse índice permite que a empresa gerencie melhor seus ativos, mantenha a conformidade com as normas tributárias e evite problemas com a fiscalização.

Como calcular a depreciação de um bem?

A empresa pode calcular a depreciação de um bem por diferentes métodos, dependendo de seus objetivos contábeis e fiscais.

O processo envolve a determinação do valor do bem, sua vida útil e o método de depreciação mais adequado.

Determinação do valor do bem

O primeiro passo é identificar o valor original do bem, que corresponde ao custo de aquisição ou produção. Esse valor pode incluir despesas adicionais, como frete e instalação, desde que sejam necessárias para o funcionamento do ativo.

Além do valor original, é preciso considerar o valor residual, que representa a estimativa de quanto o bem valerá ao final de sua vida útil. Esse valor é importante para métodos que descontam a quantia final esperada no cálculo da depreciação.

Definição da vida útil

A empresa deve estimar a vida útil do bem com base no tempo esperado de uso antes que se torne ineficiente ou obsoleto.

Para fins fiscais, a legislação estabelece prazos padronizados para diferentes tipos de ativos. Já na contabilidade, a empresa pode adotar estimativas que reflitam melhor sua realidade operacional.

Métodos de cálculo

Método linear

O método linear é o mais utilizado e consiste na divisão do valor depreciável (custo do bem menos o valor residual) pelo número de anos de vida útil. 

O resultado é uma despesa fixa de depreciação ao longo do tempo.

Fórmula:

Onde:

  • DD = despesa anual de depreciação
  • Vi = valor inicial do bem
  • Vr = valor residual
  • N = número de anos de vida útil

Método dos saldos decrescentes

Nesse método, a contabilidade calcula a depreciação aplicando uma taxa fixa sobre o valor contábil líquido do bem.

No início, o valor depreciado é maior e vai diminuindo ao longo do tempo. Esse modelo reflete melhor a perda acelerada de valor de certos bens, como equipamentos eletrônicos.

Fórmula:

Onde:

  • Dt = depreciação no período tt
  • V(t-1) = valor contábil no período anterior
  • T = taxa de depreciação

Método das unidades produzidas

Esse método calcula a depreciação com base no uso do bem, em vez de um período fixo de tempo. 

É indicado para máquinas e equipamentos cuja depreciação está diretamente relacionada à produção.

Fórmula:

Onde:

  • D = depreciação do período
  • Vi = valor inicial
  • Vr = valor residual
  • U = unidades produzidas no período
  • Ut = total estimado de unidades produzidas na vida útil

A aplicação da depreciação nos ativos fixos

A empresa adquire ativos fixos para uso contínuo em suas operações.

Esses bens não se destinam à venda no curso normal dos negócios e possuem vida útil superior a um ano. Entre os exemplos estão máquinas, equipamentos, veículos, móveis e imóveis utilizados na atividade produtiva.

Para classificar um bem como ativo fixo, a empresa deve considerar critérios como durabilidade, valor significativo e uso contínuo na operação. Além disso, sua aquisição deve estar vinculada a investimentos de longo prazo.

Aplicação da depreciação

A depreciação é aplicada sobre ativos fixos para distribuir seu custo ao longo da vida útil estimada. 

Esse cálculo impede que a contabilidade reconheça integralmente o valor do bem no momento da compra, preservando a precisão dos relatórios financeiros.

A aplicação da depreciação depende de fatores como valor de aquisição, vida útil, método de cálculo e normas contábeis e fiscais. O valor residual, que representa a estimativa do preço de revenda ou descarte ao final da vida útil, também influencia o cálculo.

Métodos de depreciação utilizados

Método linear

O método linear é o mais comum para calcular a depreciação de ativos fixos. Ele distribui o custo do bem igualmente ao longo da vida útil, resultando em uma despesa anual fixa. Esse modelo é adequado para ativos que perdem valor de forma constante ao longo do tempo.

Método dos saldos decrescentes

Esse método aplica uma taxa fixa sobre o valor contábil líquido do ativo, resultando em uma depreciação maior nos primeiros anos e menor nos períodos seguintes. É utilizado quando a empresa deseja reconhecer uma parcela maior da perda de valor nos primeiros anos de uso.

Método das unidades produzidas

Nesse método, a depreciação é calculada com base na utilização do ativo, considerando unidades produzidas ou horas de operação. É mais adequado para máquinas e equipamentos cuja perda de valor está diretamente ligada ao uso.

Regras fiscais e contábeis

A depreciação pode ter diferenças entre a contabilidade e a legislação fiscal. No contexto contábil, o objetivo é refletir a perda real de valor do ativo, enquanto a legislação fiscal impõe regras específicas para determinar a dedução permitida no cálculo do imposto de renda.

Os prazos de vida útil estabelecidos pela legislação fiscal servem para definir limites na dedução da despesa de depreciação, enquanto a contabilidade pode adotar critérios mais alinhados à realidade da empresa. Essas diferenças podem gerar ajustes no lucro tributável e na apuração dos impostos devidos.

Quais os tipos de depreciação mais utilizados no mercado?

Depreciação linear

A depreciação linear é a mais utilizada, pois distribui o custo do ativo igualmente ao longo de sua vida útil. 

O cálculo é feito dividindo o valor do bem, descontado o valor residual, pelo número de anos estimados de uso. Esse método é adequado para ativos que perdem valor de forma constante.

O uso da depreciação linear simplifica a previsão de despesas e facilita o controle contábil. Empresas que buscam estabilidade nos demonstrativos financeiros frequentemente optam por esse método.

Depreciação acelerada

A depreciação acelerada permite que uma parcela maior do valor do ativo seja depreciada nos primeiros anos de uso. 

Esse método é utilizado quando o bem perde valor mais rapidamente no início de sua vida útil ou quando há incentivos fiscais para antecipar a dedução da despesa.

Ademais, existem diferentes formas de depreciação acelerada, como o método dos saldos decrescentes e o método da soma dos dígitos. Ambos aplicam taxas maiores nos primeiros anos e menores nos períodos seguintes.

Depreciação por unidades produzidas

A depreciação por unidades produzidas ajusta a perda de valor do bem conforme sua utilização. 

Esse método é baseado na produção real, em unidades fabricadas ou em horas de operação do equipamento.

Assim, esse modelo é adequado para máquinas e equipamentos cujo desgaste está diretamente ligado ao uso. Caso o ativo opere menos do que o previsto, a depreciação será menor, refletindo melhor a realidade do bem.

Depreciação fiscal

A depreciação fiscal segue regras estabelecidas pela legislação tributária para determinar a dedução da despesa no cálculo do imposto de renda. Os prazos e taxas são definidos por normas específicas e podem diferir da depreciação contábil.

Ademais, as empresas precisam considerar as diferenças entre a depreciação contábil e fiscal para evitar distorções no resultado financeiro. Muitas vezes, é necessário realizar ajustes para conciliar os valores registrados na contabilidade e os aceitos para fins fiscais.

Depreciação contábil

A depreciação contábil reflete a perda real de valor dos ativos segundo normas de contabilidade. O objetivo é registrar o patrimônio da empresa de forma precisa, sem necessariamente seguir os critérios da legislação fiscal.

Assim, a escolha do método contábil pode variar conforme a política da empresa e as recomendações dos auditores. Em alguns casos, pode ser necessário utilizar mais de um método para diferentes categorias de ativos.

Como a depreciação impacta o fluxo de caixa e a lucratividade da empresa?

A depreciação afeta a gestão financeira de uma empresa ao influenciar tanto o fluxo de caixa quanto a lucratividade. 

Portanto, mesmo não representando uma saída direta de dinheiro, a depreciação reduz o lucro contábil e pode gerar efeitos sobre a carga tributária e a tomada de decisões.

Efeito da depreciação no fluxo de caixa

A depreciação não altera diretamente o caixa, pois não envolve um pagamento efetivo. 

No entanto, ela reduz o lucro tributável, o que pode diminuir o valor dos impostos devidos. 

Essa economia fiscal pode aumentar a liquidez da empresa e ser utilizada para novos investimentos, pagamento de dívidas ou outras despesas operacionais.

Assim, a redução do lucro contábil sem impacto no caixa melhora a geração de recursos internos. Esse efeito é especialmente relevante para empresas que utilizam a depreciação acelerada para antecipar benefícios fiscais e fortalecer a posição financeira no curto prazo.

Relação entre depreciação e lucratividade

A depreciação reduz o lucro operacional ao ser contabilizada como despesa, mas isso não significa, necessariamente, uma piora nos resultados financeiros.

Empresas que possuem ativos fixos de alto valor podem apresentar um lucro líquido menor devido à depreciação, mesmo que a operação continue rentável.

Ademais, lucratividade real deve ser analisada considerando não apenas o lucro líquido, mas também o fluxo de caixa gerado pelas atividades operacionais. 

Negócios com alta depreciação podem demonstrar um lucro menor nos demonstrativos contábeis, mas manter um fluxo de caixa saudável devido à economia tributária gerada pela dedução da depreciação.

Impacto na tomada de decisões

A depreciação influencia a decisão de investimentos, pois afeta a avaliação do retorno sobre o capital investido. 

Empresas que precisam renovar seus ativos devem considerar o efeito da depreciação no fluxo de caixa para planejar a substituição de equipamentos e infraestrutura sem comprometer a estabilidade financeira.

Além disso, a escolha do método de depreciação pode impactar a forma como a empresa apresenta seus resultados aos investidores e credores.

Métodos que aceleram a depreciação reduzem o lucro contábil no curto prazo, mas aumentam o caixa disponível, enquanto a depreciação linear mantém um impacto mais previsível ao longo dos anos.

Controle e planejamento financeiro

A gestão da depreciação exige acompanhamento contínuo para evitar distorções nos resultados financeiros. 

Empresas devem revisar periodicamente as taxas aplicadas e considerar o impacto da obsolescência dos ativos na estratégia de renovação do parque produtivo.

Assim, a relação entre depreciação, fluxo de caixa e lucratividade deve ser analisada com base em projeções financeiras que levem em conta a vida útil dos bens, os custos de reposição e os benefícios fiscais disponíveis.

Um controle eficiente permite otimizar o uso dos recursos e manter a empresa financeiramente equilibrada.

Conclusão

Portanto, a depreciação é um fator relevante na gestão financeira, pois reflete a perda de valor dos ativos ao longo do tempo e influencia tanto o controle patrimonial quanto a apuração de impostos. 

Assim, compreender seu funcionamento permite calcular corretamente os valores depreciáveis e utilizar essa informação para planejamento e tomada de decisões.

Diferentes métodos podem ser aplicados conforme o tipo de bem e a estratégia contábil da empresa. Escolher o modelo mais adequado ajuda a evitar distorções nos demonstrativos financeiros e a otimizar o impacto tributário.

Além disso, ao calcular esse índice de forma precisa e manter um controle atualizado dos ativos, empresas conseguem gerenciar melhor seus recursos, planejar investimentos e garantir uma visão mais realista sobre seus custos operacionais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.